Não restam mais dúvidas: soropositivos com carga viral indetectável não transmitem HIV.

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Depois de contabilizar mais de 12 mil transas entre casais sorodiscordantes, mais um estudo confirma a eficácia do tratamento do HIV como forma de prevenção.



Mais uma vez um estudo demonstrou que soropositivos que tomam sua medicação adequadamente e baixam sua carga viral para níveis indetectáveis não transmitem o vírus HIV para outras pessoas. Chamado Opposites Attract (“Os opostos se atraem”, em tradução livre), o estudo concentrou-se exclusivamente em casais homoafetivos masculinos da Tailândia, Brasil e Austrália.

Ao longo dos quatro anos da pesquisa os cientistas desse estudo acompanharam 343 casais gays sorodiscordantes, ou seja, casais em que um parceiro é soropositivo e o outro não é. Os entrevistados reportaram mais de 12 mil atos sexuais sem o uso de preservativo. Eles também submetiam-se a exames de DSTs.

Apenas três dos homens que não tinham HIV quando o estudo teve início contraíram o vírus quando ele foi concluído. Testes genéticos determinaram que eles não tinham vírus da mesma linhagem que a de seu parceiro, ou seja: eles contraíram a doença ao fazerem sexo com outra pessoa. Os especialistas avaliam que a probabilidade de alguém contrair HIV quando faz sexo com um soropositivo que está com a carga viral indetectável está entre zero e 1,56%, ou seja, tão pequena que chega a ser desprezível.

“Essa notícia muda a vida de casais sorodiscordantes”, afirmou Andrew Grulich, epidemiologista do Kirby Institute da Universidade de New South Wales em Sydney and coordenador do estudo, durante a 9a. Conferência Intenacional da AIDS Society em Paris (IAS 2017). "É importante que o parceiro soropositivo permaneça sob cuidados médicos regulares e não deixe de tomar seus medicamentos antirretrovirais, para que sua carga viral permaneça sempre indetectável. Nossas pesquisas somam-se a estudos anteriores, e mostram que nunca houve um caso registrado de transmissão de HIV dentro de um casal sorodiscordante quando o parceiro soropositivo está com a carga viral indetectável".

Esses resultados também são importantes para contestar as determinações de 72 países que possuem leis definindo como crime não contar que se tem HIV antes de fazer sexo. Além de não mudarem em nada o comportamento sexual de seus habitantes, essas leis fazem com que menos pessoas façam o teste de HIV (afinal, quem não sabe que porta o vírus não estaria cometendo crime).

Fica cada vez mais evidente que garantir o tratamento universal para soropositivos é uma das estratégias mais importantes para se conter a epidemia do HIV. O que torna ainda maior a irresponsabilidade do governo brasileiro, que está permitindo que faltem medicamentos antirretrovirais por todo país, fazendo com que pacientes percam o controle de sua carga viral – algo ruim para os próprios soropositivos, que podem desenvolver resistência ao medicamento, e a seus parceiros, que não estão mais protegidos do vírus.

Fonte: Lado Bi

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