010: Fodas violentas com um Rabão - Final

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Daniel na época tinha boa condição, diferente de mim. Era bom estar por lá de vez em quando, isso me distraia. Saíamos pra comer e papear entre outras coisas bacanas; digo certamente que aquela época só não foi melhor porque eu era novo e mal resolvido psicologicamente. Era muito novo, tinha vergonha de sair com eles na rua, a todo tempo queria me esconder - pois era nítido que eles eram gays - tinha medo de encontrar conhecidos na rua, tinha muita coisa comprometida do outro lado dessa vida louca que arriscava com esse mundo novo pra mim: o mundo gay.

Desde muito pequeno inteligência era uma característica forte e notável em minha personalidade. Isso incomodava o Daniel de certa forma, pois talvez fosse vantajoso pra ele que eu fosse mais um pobre menino burro que se ilude com pouco, que fosse um sem cultura, sem modos, um matuto, posso dizer. Ele me disse uma vez algo que nunca me esqueço... "Deus não dá asa à cobra! Você é mal! Se você fosse rico, ia me colocar pra limpar o chão da sua casa!", eu ri disso! Mas... Hoje em alguns aspectos eu concordo com o que ele disse, algumas coisas fazem fundamento. Talvez se não tivesse sido tão carente de algumas coisas na vida, não seria tão humilde como sou hoje (ou tento ser).

Final das contas? Esperteza era o meu forte e aos poucos fui sabendo demais sobre eles... Creio que o Daniel tenha ficado com medo disso (e com razão) e tenha vetado radicalmente as minhas visitas lá em sua casa não falando mais comigo quando o via até chegar o momento em que o contato foi cortado. Sabe o que mais eu acho que contribuiu pra isso mais do que o que eu falei anteriormente? O Daniel chegou a me comer por algumas vezes, mas eu não curtia muito, sabe? Ficava desconfortável. Essa ideia de ser passivo não entrava na minha cabeça, não sentia tesão em dar naquela época e nem estava com vontade de tentar. Foi instantâneo, assim que parei de dar, quando disse que não queria mais, o comportamento dele começou a mudar.

O Flavio? Ele me dava incansavelmente - reclamando do tamanho do meu pau - transávamos loucamente... Mas até ele começou a cortar o contato oprimido pelo Daniel. Lembro que as duas ultimas vezes que fui lá no apartamento deles foi pra comer o Flavio e o Daniel não estava, ou seja, escondido dele.

O tempo passou... Depois de alguns anos - pra ser mais exato, no ano passado - Eles entraram em contato comigo via Facebook. O Daniel pra especular como estava a minha vida, o que andava fazendo, o que tinha me tornado... Graças a Deus eu estava bem posicionado, com minha vida profissional encaminhada e progresso estável. O Flavio até hoje me manda convites nas suas redes sociais mas eu não os aceito. Me elogia, fala que eu tô mais lindo do que nunca, que tô gostoso e blá blá blá... Vive me chamando pra passar uns dias em Juiz de Fora na casa onde eles enfim foram morar de vez. Eu? Não fui até hoje; enrolo, enrolo e não vou. E engraçado... O viado ainda continua falando e escrevendo errado pra caralho! Eu só não rio mais porque me acostumei.

Acho que o melhor disso tudo é hoje ter apenas boas lembranças do rabo maravilhoso do Flavio, que eu fodia sem pena, com muito tesão. e do quanto viver aquela atmosfera me distraia das coisas ruins que aconteciam na minha vida.

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